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terça-feira, 10 de julho de 2012

Relatório de Sustentabilidade - o equívoco em transformar uma ferramenta estratégica em operacional

Em pesquisas recentes, tanto nacionais quanto internacionais, é possível perceber o aumento do número de executivos preocupados com o tema sustentabilidade. No entanto, trata-se de uma preocupação aparente na medida em que não gera ações efetivas. Um exemplo disso é que, em sua maioria, os executivos ainda não colocaram a sustentabilidade na agenda estratégica de suas organizações. Isso pode ser verificado inclusive durante o processo de elaboração do Relatório de Sustentabilidade que, mesmo sendo um documento estratégico, é tratado como processo operacional onde o corpo executivo se envolve muito pouco.

Apesar do crescente interesse dos stakeholders por informações que extrapolem o viés financeiro, ainda são poucas as organizações que se submetem a utilizar diretrizes de relato mais abrangentes, como a sugerida pela Global Reporting Initiative - organização social holandesa que se dedica a elaborar e difundir padrões para o relato da sustentabilidade de empresas, organizações sociais e governos. E mesmo aquelas organizações que já preparam relatórios mais consistentes, fazem isso de maneira pouco inteligente ao terceirizar e, muitas vezes, rifar internamente a responsabilidade dos executivos durante todo o processo de construção do documento. Além disso, áreas que deveriam agir em colaboração – como Marketing, Relações com Investidores, Recursos Humanos, entre outros - se limitam a cumprir cronogramas, sem efetivamente contribuir para a elaboração de um documento interligado.

A grande confusão em torno do relatório de sustentabilidade está no entendimento da sua real função. Pois, além de proporcionar um relato organizado e padronizado das informações econômicas, sociais e ambientais da organização, o relatório também é uma ferramenta de gestão da sustentabilidade. Na medida em que ele apresenta informações de perfil, forma de gestão e indicadores de desempenho, com controle de metas e organizado para oferecer informações positivas e negativas, antes da concepção do documento é necessário todo um trabalho de planejamento, engajamento de stakeholders, definição e gerenciamento de indicadores, controle de metas, entre outros. No entanto, as organizações, apesar de trabalharem com controles de metas e indicadores sofisticados, não utilizam essa expertise para elevar o seu grau de desempenho em sustentabilidade.

Todo esse processo anterior ao relato é tratado de forma fragmentada e desconectada, resultando em um relatório pouco funcional e objetivo, onde muitas vezes não é possível encontrar links entre o perfil, a forma de gestão e os indicadores apresentados. As informações parecem estar soltas, em capítulos que não se conversam e sem uma linha de gestão que apresente sua evolução em sustentabilidade. Neste caso, poucos resultados concretos podem resultar deste documento.

O que as organizações deveriam fazer para utilizar o relatório de sustentabilidade de maneira eficiente - trazendo benefícios para a organização em termos de gestão da sustentabilidade, imagem corporativa e conexão com stakeholdes - seria se empoderar das ferramentas e incluir a elaboração do relatório na sua agenda estratégica. Os executivos devem ser os guardiões deste documento e utilizá-lo como ferramenta para disseminar conceitos de interdependência, co-gerenciamento e co-criação, tão necessários para uma gestão sustentável de qualidade.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Economia Verde

Junho está chegando aí e com ele cai de maduro um tema um tanto desconhecido para a grande massa: Economia Verde. 

De 20 a 22 de junho, o Brasil será mais uma vez palco da maior Conferência Internacional sobre meio ambiente, a Rio+20. Um dos temas a ser tratado neste encontro é a Economia Verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza. 

Não podemos esquecer que no dia 05 de junho também tem uma data bem importante, o Dia Mundial do Meio Ambiente, cujo tema deste ano também é Economia Verde: ela te inclui?

Mas você sabe o que é economia verde? Sabe como pode incentivar a sua empresa a aderir a essa iniciativa? Imagina onde a sua vida pode estar ligada a este tema? Bom, bora lá entender tudo isso então. Vou tentar ser bem didática.

O que é economia verde?

Primeiramente, a economia é chamada de verde para se diferenciar da atual economia marrom, onde o avanço de empresas e governos implica em um alto custo para a natureza e a qualidade de vida do homem.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) a Economia Verde é aquela que resulte em melhoria do bem-estar humano e da equidade social ao mesmo tempo em que reduz de forma significativa os riscos ambientais e a escassez ecológica. É uma economia de baixo carbono, com uso eficiente dos recursos e inclusão social.

A ideia não é impedir o desenvolvimento de tecnologias ou que o ser humano volte a viver na idade da pedra (mas isso certamente irá acontecer se não migrarmos para um modelo de economia verde). O objetivo é garantir que o crescimento de renda e empregos seja conduzido por investimentos públicos e privados que reduzam as emissões de carbono e a poluição, aumentando a eficiência do uso dos recursos e da energia e evitando a perda da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos. 

Como minha empresa pode aderir a essa iniciativa?

Depende! Empresas que ainda não possuem uma política de gestão ambiental podem começar tentando entender o que elas ganham com isso. Vale correr atrás de informações importantes que estão na mídia, como a Política Nacional de Resíduos Sólidos, por exemplo. 
Agora se a sua empresa já está no caminho certo, opte, quem sabe, pela realização de uma campanha na semana do meio ambiente, enfocando o tema. O PNUMA está com materiais super bacanas que as empresas podem utilizar. Inclusive, as empresas podem registrar as suas iniciativas lá no site e torná-las públicas.
E que tal incentivar a Carona Solidária entre seus colaboradores? Existem hoje iniciativas gratuitas, tanto para a empresa quanto para seus funcionários, que viabilizam essa iniciativa. Já ouviu falar no Caronetas? Procura na internet que é bem legal.
Incentivo ao uso de bicicletas também é bacana... Pode-se começar colocando um bicicletário na empresa, dando palestras sobre o uso correto e seguro da bicicleta; Quem sabe convidar um Bici Anjo para dar palestra na empresa?
Gente, é tanta coisa bacana que pode ser feito... E olha que essas dicas são apenas para iniciativas de baixo carbono.

E onde você se encaixa nisso tudo?

Encaixa-se em tudo, né galera?!
Você já reparou quanto resíduo você gera diariamente? Repare então... Quando você se sentir envergonhado, vai buscar alternativas para reduzir o impacto que você causa ao meio ambiente.
Quais são seus hábitos para o uso de transporte? Usa carro diariamente para ir ao trabalho e enquanto fica 10 horas no escritório o coitadinho fica abandonado em um estacionamento? Vai à padaria de carro? Na pelada de final de semana? Comece a rever seus conceitos...
Compra melancia no inverno? Já pensou quantos quilômetros de estrada essa melancia percorreu até chegar a sua casa? Optando pelas frutas da estação você já está contribuindo bastante...

Acho que por enquanto vou ficar por aqui. Já é muita informação para um post. Mas fica a dica aí pessoal...

Se quiserem mais informações, podem escrever um comentário, mandar um e-mail, que eu respondo com todo prazer. Mas logo aí abaixo vocês encontram umas informações de lambuja...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A sustentabilidade que aprendi no Jardim

Nos últimos meses eu tenho testemunhado a confusão de diversas pessoas quando se deparam com o tema sustentabilidade, inclusive de pessoas que se dizem especialistas. E isso me assusta!

Alguns autores defendem que a Sustentabilidade deve ser vista como outra forma de ver o mundo, outra forma de fazer negócios, nada além disso. Mas eu digo que sustentabilidade deve voltar a ser vista com a antiga forma de ver o mundo, de se relacionar com as pessoas e com o ambiente ao nosso redor.

Eu sempre digo que o que eu aprendi no jardim de infância é o conceito nato de sustentabilidade. Lembra o que a sua mãe dizia quando lhe dava o dinheiro do lanche? - Se você gastar tudo essa semana, ficará outras três sem nada (medo); e se você tinha merenda e um colega não tinha, a Profe não dizia para dividir? A minha dizia. Quanto aos puxões de orelha para não deixar a luz acesa e nem a torneira aberta eu não vou nem falar... Ou seja, o conceito de sustentabilidade cruza inevitavelmente o caminho do comportamento sensato e ético. Leve todos esses ensinamentos para o mundo empresarial e teremos o conceito da Gestão Sustentável – o econômico, o social e o ambiental tudo junto numa coisa só.

Se observarmos a sustentabilidade a partir de um amplo movimento para enfrentar o desequilíbrio econômico x social x ambiental, perceberemos que estamos nos referindo, aos mais antigos hábitos e costumes, aos ensinamentos da infância. Enfim, o antigo caminho do não desperdício dos recursos, tanto econômicos quanto ambientais, e principalmente do respeito pelas pessoas. Desenvolvimento econômico, utilização sensata e inteligente dos recursos naturais e coesão social... Isso é Sustentabilidade.